Judô – Uma Filosofia de Vida

A aquisição das qualidades necessárias ao judô tem como alicerce os três princípios filosóficos definidos por Jigoro kano que, como ditado por ele mesmo evidenciam a principal diferença entre o Judô Kodokan e o antigo Jujitsu: ” o Judô pode ser resumido como a elevação de uma simples técnica a um princípio de viver” (Jitsu = técnica; Do = princípio). Esses princípios estão presentes em todos os atos e atividades do praticante de judô.

Quando o praticante tiver fixado e tomar consciência dos princípios que norteiam o judô, poderá verificar que não são restritos ao Dojô, mas são igualmente válidos em qualquer atividade da vida diária, quando se pretende atingir um determinado objetivo.

Os três princípios do judô:

  • JU = suavidade;
  • SEIRYOKU-ZEN-YO = máxima eficiência com mínimo esforço;
  • JITA-KYOEI = bem-estar e benefícios mútuos.

 

Um pouco de história

Baseado em contos e lendas, a origem documental do combate corporal é imprecisa.

Segundo alguns historiadores japoneses, o mais antigo relato de um combate corporal ocorreu em 230 aC, na presença do imperador Suinin. Taimano Kehaya, um lutador insolente foi rapidamente nocauteado por um terrível cultor do combate sem armas, Nomino Sukune.

Naquele tempo não havia regras de combate padronizadas. As lutas poderiam desenvolver-se até a morte de um dos competidores. As técnicas de ataque e defesa utilizadas guardam muita semelhança com os golpes do sumô e do antigo Jujitsu.

A origem do nome Judô

Em 1882 Jigoro Kano (✶1860 ✝1938) abriu seu próprio Dojô, chamado Kodokan, onde ensinava uma variação moderna do Jujitsu que ele chamava Judô. A mudança do nome se devia ao fato de que Mestre Kano não queria que sua arte tivesse a conotação negativa conferida aos praticantes de Jujutsu, pois considerava repugnante a prostituição das artes marciais através de combates remunerados e desafios. Jigoro Kano afirmou ainda que o termo escolhido, “Judô”, não havia sido criado por ele, mas era muito antigo, sendo utilizado pela escola Jikishin Ryu. Para diferenciar a sua arte ele a denominava “Judô Kodokan ”, nome pela qual ainda é conhecida.

Judô no Brasil

O Judô chegou ao Brasil em 1915 por meio de Esai Maeda Koma. Apesar de ter aparecido anos após a entrada dos primeiros imigrantes japoneses, Maeda vem como divulgador do Judô e Jiu-jitsu. Enviado especial da Kodocan para divulgar o Judô, coloca-se ainda que vieram junto com ele quatro personagens importantes, Tomita, Sakate, Ono e Ito. Percorreram desde os Estados Unidos, América Central até a América do Sul. Vieram para divulgar a “arte do Kodocan” por demonstração e também através de desafios por combate.

Moeda se apresentou em diversos municípios brasileiros até finalmente chegar a Manaus (AM) em 20 de dezembro de 1915. No auge do ciclo da borracha, os habitantes da capital amazonense ficaram encantados com a técnica apresentada pela equipe do japonês. Com o sucesso dos contínuos espetáculos vários brasileiros acabaram entrando no time oriental. Foi assim que o judô se transformou em um dos esportes mais praticados no Brasil nos dando até 2016 vinte e duas medalhas olímpicas (4 ouros, 3 pratas e 15 bronzes).